No primeiro domingo depois da Epifania, celebra-se
tradicionalmente a Festa do Batismo do Senhor. Assim, o Evangelho (Mc 1,7-11 e Jo 1,14a.12a) apresenta o encontro entre Jesus e João Batista, nas
margens do rio Jordão.
No primeiro domingo depois da Epifania, celebra-se
tradicionalmente a Festa do Batismo do Senhor. Assim, o Evangelho (Mc 1,7-11 e Jo 1,14a.12a) apresenta o encontro entre Jesus e João Batista, nas
margens do rio Jordão.
Evangelho
– O Evangelho de Mateus
(Mt 1,1) cita que Jesus foi visitado por “alguns magos”. Descreve que eles foram guiados por uma
estrela e que entregaram três presentes para o menino Jesus: ouro, incenso e
mirra. Estas são as únicas informações
que temos sobre os magos; tudo o que aparece, além disso, são histórias, tradições,
lendas, fábulas. Vamos ver algumas:
Mais
lendas – Passaram-se mais
alguns séculos e criaram a descrição física dos magos. Melquior era velho,
ponderado, prudente, sisudo, de barba e cabelos longos e grisalhos; Gaspar era
jovem, sem barba e louro; Baltazar era negro e totalmente barbado. A ideia da
procedência persa dos magos influenciou até as roupas com que aparecem representados:
chapéu redondo na cabeça, camisa curta presa por um cinturão, calças estreitas
e uma capa por cima. Exatamente como os reis persas se vestiam.
Restos mortais – De acordo com uma tradição medieval, os
magos teriam se reencontrado quase 50 anos depois do primeiro Natal, em Sewa,
uma cidade da Turquia, aonde viriam a falecer. No ano de 474, os restos mortais
dos três magos foram sepultados em Constantinopla e depois transferidos para
Milão, na Itália. Em 1164 foram transferidos para a cidade de Colônia, na
Alemanha, onde foi erguida a belíssima Catedral dos Reis Magos, que os guarda
até hoje.
O Ano – Segundo
relatos históricos, o rei Herodes (que perseguiu Jesus, recebeu os magos,
mandou matar as crianças de Belém, etc.) morreu no final de março do ano 4 a.C.
Como Jesus nasceu antes da morte de Herodes, a data mais aceita é o ano 7 a.C.
O mês – Quanto ao mês do nascimento de Jesus, a
única informação está em Lc 2,8: "na mesma região havia uns pastores
que estavam nos campos e que durante as vigílias montavam guarda a seu rebanho".
Sabe-se que, em dezembro, quando comemoramos o Natal, a temperatura na região
de Belém é abaixo de zero e normalmente há geadas. Portanto, certamente não
haveria gado, no mês de dezembro, nos pastos próximos a Belém. Atualmente,
naquela região, os rebanhos são levados para o campo em março e recolhidos no
fim de outubro.
O dia – Desde os
primeiros séculos, os cristãos sempre quiseram ter um dia para comemorar o
nascimento de Jesus. Mas, não havia informações suficientes para fixar esse
dia. O bispo Clemente de Alexandria (séc. III) dizia ser no dia 20 de abril;
São Epifânio sugeria o dia 6 de janeiro, enquanto outros falavam em 25 de março
ou 17 de novembro. Porém, não havia acordo. Assim, durante os três primeiros
séculos, a festa do nascimento de Jesus não teve data certa.
Igreja
sacudida
– No século IV aconteceria algo que abalaria a Igreja: um presbítero de
Alexandria chamado Ário passou a discordar da Igreja quanto à natureza de
Cristo. Ário dizia que existia um Deus eterno e não gerado e que Jesus foi
criado por esse Deus; portanto, Cristo era criado e não eterno. As idéias de
Ário se propagaram e ganharam boa parcela da Igreja. No ano de 325 foi
convocado um Concílio Universal da Igreja para resolver a questão ariana. Este
concílio aconteceu na cidade de Nicéia, vizinha de Constantinopla. Por grande
maioria, as idéias de Ário foram rejeitadas. Para reforçar a idéia, foi criado
o credo Niceno-constantinopolitano que rezamos até hoje: “creio em Jesus
Cristo nascido do Pai antes de todos os séculos; (Jesus é) Deus verdadeiro de
Deus verdadeiro, gerado, não criado, da mesma substância do Pai ...”.
Pós-Ário – Apesar da
derrota, os partidários de Ário não se deram por vencidos. Muitos bispos
continuaram aceitando a doutrina ariana e se recusando a utilizar o credo
proposto em Nicéia. Frente a essa situação, o Papa Julio I percebeu que era
importante propagar a idéia da divindade de Cristo, combatendo as idéias de
Ário. Propôs que fosse comemorada a festa do nascimento de Jesus como a
celebração do nascimento do Filho de Deus.
Qual dia? – Foi proposto
usar o dia de uma festa bastante popular do Império Romano: “o dia do Sol
Invencível”. Era uma celebração pagã muito antiga, desde o tempo do
Imperador Aureliano, no século III, em que se adorava o sol como um deus
invencível. Como se sabe, no hemisfério norte, à medida que vai chegando
dezembro (inverno), os dias vão diminuindo e as noites se prolongando. A
escuridão aumenta e o sol fica cada vez mais fraco. No dia 21 de dezembro (dia
mais curto do ano) as pessoas se perguntavam: o sol desaparecerá? Mas, a partir de 22 de dezembro a luz do sol
começa a ganhar da escuridão. No dia 25
de dezembro era comemorado o sol que não morre, o Sol Invencível.
Luz de Natal – Desta forma,
a Igreja do século IV batizou e “cristianizou” uma festa pagã, transformando o
“dia de natal do Sol Invencível” para “Dia de Natal de Jesus”, o Sol de
Justiça, muito mais brilhante que o astro rei.
Assim, o dia 25 de dezembro se converteu no dia de Natal cristão.
Natal – Jesus não nasceu em 25 de dezembro. É
uma festa simbólica. Mas, quando vemos ao nosso redor os problemas,
preocupações, dores, fracassos, enfermidades, injustiças, misérias, corrupção,
mentiras, devemos lembrar e nos perguntar: o mal vencerá o bem? A escuridão
ganhará da luz? Cristo desaparecerá? Será vencido pelo mal? O dia 25 de dezembro é o anúncio que Jesus
é o Sol Invencível; jamais será derrotado. O 25 de dezembro é o maior grito
de esperança dos homens; todos os que se opuserem a Jesus desaparecerão, porque
ele é o verdadeiro Sol Invencível.
Você sabe dizer em que ano nasceu Jesus? Quantos anos Ele teria hoje?
Se o nosso calendário cristão estivesse certo, em que ano estaríamos? Vamos
apresentar mais detalhes sobre a cronologia do nascimento de Jesus a partir de
alguns dados evangélicos, históricos e astronômicos.
O que dizem os Evangelhos – Os Evangelhos fornecem duas informações sobre o ano em que Jesus nasceu: alguns anos antes da morte de Herodes (Mt 2,1-19) e por ocasião de um recenseamento, quando Públio Sulpício Quirino era governador da província romana da Síria (Lc 2,2).
Pastores – Lucas (Lc 2,8) nos informa que, quando Jesus nasceu, "na mesma região havia uns pastores que estavam nos campos e que durante as vigílias montavam guarda a seu rebanho". Sabe-se que, em dezembro, quando comemoramos o Natal, a temperatura na região de Belém é abaixo de zero e, normalmente, há geadas. Portanto, certamente não haveria gado, no mês de dezembro, nos pastos próximos a Belém. Atualmente, naquela região, os rebanhos são levados para o campo em março e recolhidos no fim de outubro. Portanto, o nascimento de Jesus se deu antes do inverno (do hemisfério norte), talvez no mês de setembro ou outubro do ano 7 (talvez 6) antes de nossa era.
E Jesus? – O Texto de Lucas (Lc 1, 26-27) nos informa que Maria concebeu no sexto mês da gravidez de Isabel, ou seja, e Jesus foi concebido seis meses depois de João Batista. A data do nascimento de João Batista pode ser bem estabelecida em torno de 15 de Nissan; acrescentando-se seis meses ao nascimento de João chegamos ao Nascimento de Jesus no início do mês de Tishri (setembro).
No Evangelho das missas deste domingo, João Batista manda os seus discípulos
irem até Jesus e perguntar-lhe: “És Tu Aquele que há de vir
ou devemos esperar outro?”. João Batista, como todo o povo judeu, aguardava a
chegada de um Messias (o Cristo, o Ungido de Deus), como estava prometido no
Antigo Testamento. Por essa razão, ele manda seus discípulos perguntarem a
Jesus se Ele realmente o Messias esperado, ou devemos esperar por outro.
Messias – Nos primeiros
séculos, uma das dificuldades do cristianismo era provar aos judeus que Jesus
era o Messias, o Cristo esperado pelos judeus. Conforme o Antigo Testamento,
este personagem deveria ter três características prometidas por Deus para o
final dos tempos: um profeta, um rei e um sacerdote. Para Jesus ser o Messias,
ele deveria ter as três qualidades.
Profeta, rei, sacerdote – A vinda de um profeta no final dos
tempos foi comunicada por Deus a Moisés no livro do Deuteronômio (18,18): “Suscitarei
um profeta como tu entre teus irmãos”. A promessa de um rei está no 2º
Livro de Samuel (7,12), onde Deus diz a Davi: “Quando tu morreres eu
mandarei um descendente teu e manterei o seu trono para sempre”.
Finalmente, a promessa de um futuro sacerdote santo foi para Eli: “Mandarei
um sacerdote fiel, que atue segundo a minha vontade” (1Sam 2, 35).
Jesus: Profeta
e Rei –
Cristo foi reconhecido como “profeta” (Mc 9,8), como “grande
profeta” (Lc 7,16) e como “o profeta” (Jo 6,14). Também
foi reconhecido como “rei” (Mt 21,9), como “o rei que vem
em nome do Senhor” (Lc 19,38), como “o rei de Israel” (Jo
12,13). O próprio Pedro reconhece Jesus
como o profeta prometido (Hb 3,22) e como rei esperado (Hb 2,36).
Por
que a pergunta de João? – João Batista e os judeus
esperavam um Messias que viesse lançar fogo à terra, castigar os maus e os
pecadores, dar início ao “juízo de Deus” (Mt 3,11-12). Ao contrário, Jesus
aproximou-Se dos pecadores, dos marginais, dos impuros, estendeu-lhes a mão,
mostrou-lhes o amor de Deus, ofereceu-lhes a salvação (Mt 8-9). João e os seus
discípulos ficaram desconcertados: Jesus será o Messias esperado, ou é preciso
esperar um outro que venha atuar de uma forma mais decidida, mais lógica e mais
justiceira?
Jesus Sacerdote –
Porém
jamais, em nenhuma ocasião, Jesus foi reconhecido como sacerdote. Isto por uma
clara razão: para ser sacerdote ele deveria pertencer a tribo de Levi, e Jesus
pertencia à tribo de Judá. Portanto, para os judeus, Jesus era um leigo.
Explicando melhor: Quando
os Hebreus chegaram à Terra Prometida, se dividiram em 12 tribos. Só poderiam
ser sacerdotes os descendentes da tribo de Levi (chamados levitas). Jesus
pertencia à tribo de Judá, portanto nunca poderia ser aceito como sacerdote.
Solução – Por volta
do ano 80 d.C. apareceu na cidade de Roma um personagem de grande cultura e
grande conhecimento da língua grega. Este autor, que para nós permanece
anônimo, escreveu a Carta aos Hebreus, esclarecendo que Jesus poderia ser
sacerdote. Nos capítulos 7 a 10 da Carta, ele desenvolve o seguinte raciocínio:
interpretando o Salmo 110 (vers. 4), em que Deus diz “tu és sacerdote para sempre, segundo a Ordem de
Melquisedec”, ele afirma que Deus
criou uma nova ordem de sacerdotes, distinta da ordem dos levitas. Jesus Cristo
desceu dos céus para ser o sumo sacerdote desta nova ordem.
Quem era? – Melquisedec é
proclamado como “rei de Salém” e “sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14). Foi ao
encontro de Abrão, abençoou-o, entregando-lhe pão e vinho. Trata-se de um
personagem estranho, pois o texto não indica as suas origens nem a sua ordem
sacerdotal.
Nova ordem – Portanto Cristo é o primeiro sacerdote,
protagonista e iniciador de uma nova ordem de sacerdotes. Pela interpretação do
Salmo (110, 4) e da Carta aos Hebreus (cap.7 a 10) a Igreja Católica proclama
Jesus como “sacerdote para sempre, segundo a Ordem de Melquisedec”.
O Evangelho lido nas missas deste domingo nos apresenta João
Batista pregando no deserto. Vamos conhecer um pouco mais sobre João Batista.
Geografia – João Batista nasceu na cidade de Ain-Karin, distante poucos quilômetros a sudoeste de Jerusalém (na Judéia). Viveu como ermitão no deserto da Judéia até os 27 anos. João chamava os homens para a penitência e batismo, anunciando que o Reino de Deus estava próximo. Ele atraía multidões. Quando Cristo veio até ele, foi reconhecido como o Messias. Recusou batizar Jesus, dizendo que ele que deveria ser batizado pelo Cristo, mas por indicação de Jesus, acabou por fazê-lo.
Confronto – Uma das histórias mais conhecidas da Bíblia é o confronto entre João Batista e Herodes Antipas, o filho de Herodes Magno (aquele que aparece no nascimento, recebe os magos, assassina as crianças de Belém). Vamos detalhar os fatos, usando os textos do Evangelho de Marcos (Mc 6, 17s) e as citações do historiador Flávio Josefo, no livro Antiguidades Judaicas (XVIII,5,2).
Herodes Antipas – Foi o filho caçula de Herodes, o Grande,
e da Samaritana Maltace, uma das dez esposas de seu pai; nasceu por volta do
ano
O escândalo – Por volta do ano 27 d.C., em uma de suas viagens a Roma como informante do imperador, Herodes Antipas hospedou-se na casa de seu irmão por parte de pai, Herodes Filipe (veja Mc 6,17). Este levava uma vida discreta em Roma e havia se casado com sua sobrinha Herodíades. A ocasião foi favorável tanto para a ambiciosa Herodíades (que não se conformava com aquela vida obscura), como para o leviano Antipas, que se apaixonou por ela.
A infidelidade – Os dois juraram-se fidelidade. A pedido de Herodíades o tetrarca prometeu repudiar a esposa assim que retornasse à Galiléia; Herodíades prometeu-lhe abandonar o marido, Filipe, e acompanhá-lo para a Galiléia. A legítima esposa de Antipas, sabendo dos projetos do marido, preferiu não sofrer a humilhação do repúdio, retirando-se para a casa dos pais. Os nabateus, vendo a filha do rei Aretas IV humilhada, invadiram as terras de Antipas, fazendo com que este perdesse toda a estima do imperador. Com o caminho livre, Herodíades viajou para a Galiléia, levando a sua filha, a bela jovem Salomé, e passou a viver com Herodes Antipas.
O Martírio – No dia do aniversário de Herodes, foi oferecido um banquete aos grandes da corte. Salomé (filha de Herodíades) dançou e agradou a todos. O rei, encantado, disse à moça: "Pede o que quiseres e eu te darei, ainda que seja a metade de meu reino". Em dúvida, a moça perguntou a sua mãe: "O que hei de pedir?". Ela respondeu: "A cabeça de João Batista". Salomé pediu ao rei: "Quero que me dês num prato a cabeça de João Batista". Antipas, mesmo contrariado, mandou degolar João no cárcere e entregou a sua cabeça num prato para Salomé (veja Mc 6,21-28).
Estamos
iniciando o ano litúrgico, com o primeiro domingo do Advento. O texto do
Evangelho das missas (Mt 24,37-44) é tirado do último grande discurso de Jesus
antes de sua Paixão e morte.