sábado, 27 de janeiro de 2001

A Formação dos Evangelhos: Parte 2 – O Martírio de Estevão

Coluna "Ser Católico" – Jornal da Cidade – 27/01/2001


Os dois grupos – Entre os judeus de língua grega, havia grande discussão entre aqueles que acreditavam em Jesus (como Estêvão, Filipe e Barnabé) e os que não acreditavam. Os confrontos giravam em torno da centralidade do templo e seus sacrifícios, da observância rigorosa da Lei judaica e da medida em que a cultura grega devia ser aceita ou rejeitada.

Desafio – Estêvão foi desafiado por alguns de seus compatriotas helenistas (judeu com cultura grega) para um debate. Os judeus do Norte da África e da Ásia Menor sentiram-se indignados com as afirmações de Estêvão de que Jesus de Nazaré tornara desnecessários o templo e seus sacrifícios. Estêvão foi levado ao Sinédrio acusado de ter afirmado que Jesus destruirá o templo e modificará os costumes de Moisés.

A defesa de Estêvão – O discurso de Estêvão é mais um ataque aos que o acusavam. Cita que o templo, edifício erguido por mão humanas, se opõe ao modelo de Deus, e que a "Tenda do Testemunho" que Moisés recebera seria um santuário móvel. E, citando Is 66,1-2, mostrou-lhes que Deus não habita numa casa, mas no céu.

Proclamação de Jesus-Deus – No meio de seu discurso, Estevão acusa o Sinédrio pela condenação de Jesus, o Justo, "de quem vós agora vos tornastes traidores e assassinos"! E, com a tranqüilidade de possuir o Espírito Santo, fixa os olhos no céu e proclama: "Eu vejo os Céus abertos, e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus".

O martírio – Quando os judeus ouviram tal informação a respeito de Jesus, que, segundo eles, rejeitara o templo e a lei de Deus, ‘taparam os ouvidos’, arrastaram Estêvão para fora da cidade e apedrejaram-no, enquanto este orava: "Senhor, não lhes leves em conta este pecado".

O primeiro mártir – Estevão é recordado como o primeiro mártir cristão, que deu testemunho de sua fé à custa da própria vida. A sua prece ao morrer, é considerada a primeira oração dirigida a Cristo que se conhece. Após a eliminação de Estêvão, continuaram as perseguições contra os discípulos, conduzidas por Saulo de Tarso (Paulo), que estava presente no apedrejamento de Estêvão.


Perseguições – Após este episódio, intensificaram-se as perseguições contra a Igreja, fazendo com que muitos seguidores deixassem Jerusalém. As perseguições eram principalmente aos cristãos helenistas, não aos cristãos judeus, o que permitiu que os apóstolos permanecessem em Jerusalém.

(na próxima semana falaremos sobre Saulo de Tarso, ou Paulo)

Você sabia que ...

... a morte de Estêvão (e a perseguição aos cristãos) é tomada como um ponto essencial de "explosão" missionária do cristianismo. A Igreja ingressava numa etapa capital, abandonando Jerusalém e passando a pregar o Evangelho "de um lugar para outro" (At 8,4).

sábado, 20 de janeiro de 2001

A Formação dos Evangelhos: As Primeiras Comunidades Cristãs

Coluna "Ser Católico" – Jornal da Cidade – 20/01/2001



A Formação dos Evangelhos:

A partir desta semana iniciaremos um estudo sobre todos os acontecimentos que influíram na formação dos textos dos Evangelhos.

Parte 1 - As Primeiras Comunidades Cristãs

A Tradição Oral – Após a morte de Cristo (30 d.C.), os apóstolos passaram a pregar a mensagem e a formar a comunidade de crentes. Inicialmente a pregação se concentrou em Jerusalém, na Judéia, e em toda a Galiléia. Tudo era feito oralmente, baseando-se na força discursiva de Pedro e nos testemunhos dos apóstolos. Era a chamada Tradição Oral que se estendeu por um período de, pelo menos, 15 anos, sustentada pela memória dos apóstolos e discípulos.

A Mensagem – Todo o trabalho dos cristãos dessa época (antes de 50 d.C.) se resumia em proclamar uma mensagem muito simples, baseada na iminente segunda vinda do Senhor e instalação do Reino de Deus (a parúsia imediata). A certeza da volta gloriosa de Cristo tornava desnecessária qualquer preocupação em transcrever a mensagem de Jesus, pois eles estavam convencidos de sua presença física em breve. As palavras de Jesus em Mt 16, 28 são claras: "Eu vos garanto que alguns dos que aqui se encontram não morrerão antes de verem o Filho do Homem vir em seu reino", ou em Mt 24,34: "Em verdade vos digo, esta geração não passará até que tudo aconteça."

Como viviam os cristãos? – O Livro dos Atos dos Apóstolos (At 2, 42-47) nos mostra um belo perfil, com base em uma divisão comunitária dos bens, reuniões participativas, orações e visitas diárias ao templo. Portanto, todas as tradições do judaísmo eram mantidas. Eusébius (no livro A História da Eclesiástica escrito no ano 315) nos informa que os quinze primeiros bispos da Igreja de Jerusalém eram circuncidados e continuavam guardando as tradições judaicas: dietas, liturgias das orações, guardavam os sábados, participavam das festas, inclusive a festa do Dia da Reconciliação (Expiação). Isto pode explicar uma harmonia entre judeus e a comunidade cristã. Portanto cristianismo nascia como um movimento dentro do judaísmo, muito provavelmente rejeitado (ou até desprezado) radicalmente pelos judeus.

Os inimigos – Os maiores opositores ao cristianismo eram os saduceus (nobres, que faziam uma interpretação conservadora, ao pé da letra, dos 5 primeiros livros da Bíblia) e os fariseus (cumpriam o judaísmo com idéias mais amplas, aceitando as tradições mais recentes). Os saduceus não acreditavam na ressurreição dos mortos e os fariseus, embora acreditassem na ressurreição, não acreditavam que Jesus fosse o Messias dos judeus.

As perseguições – No início aconteceram perseguições esporádicas contra os apóstolos, mas, com o passar dos anos os anciãos do Sinédrio começaram a ficar alarmados com a crescente influência dos apóstolos. A cura de um aleijado por Pedro e João nas portas do templo (At 3,7) e a pregação dos apóstolos tornaram os ânimos exaltados. O grupo dos saduceus que compunham o Sinédrio queriam prender os cristãos, com intenção de matá-los (At 5, 33).

Gamaliel – Um fariseu de tendência liberal chamado Gamaliel (mestre de Paulo), ilustre ancião do Sinédrio disse: "Não se preocupem com estes homens, e os soltem. Porque, se o projeto ou atividade deles é de origem humana, será destruído; mas, se vem de Deus, vocês não conseguirão aniquilá-los. Cuidado para não se meterem contra Deus" (At 5,38-39).

O maior incidente entre judeus e cristãos ocorreu com Estêvão ... (mas isso é assunto para a próxima semana)

Você sabia que ...

... Eusébius de Cesaréia viveu entre os anos de 260 e 340, sendo bispo de Cesaréia em 315 ? Escreveu o livro "A História da Eclesiástica, onde descreve os primeiros três séculos do cristianismo. Neste livro (Parte II, I, 1.4) ele cita, por várias vezes, que o grupo primitivo dos cristãos era composto de setenta pessoas. Se você quiser receber este livro na íntegra (em inglês), gratuitamente, solicite pelo E-mail.

sábado, 13 de janeiro de 2001

A Vida Pública de Jesus

Coluna "Ser Católico" – Jornal da Cidade – 13/01/2001


A Liturgia da Igreja Católica nos insere no Tempo Comum, concentrando as leituras dos Evangelhos das missas, em passagens da vida pública de Jesus. É considerada como "vida pública de Jesus" o período em que ele é batizado, escolhe seus apóstolos, realiza seus milagres e pregações, profere suas parábolas, funda a Igreja, é traído por Judas, é preso, condenado, crucificado e morto e, por fim, ressuscita dos mortos.

Tempo de Pregação: A maioria dos exegetas (estudiosos da Bíblia) acredita que Jesus realizou tudo isto em apenas 2 anos e seis meses: ele foi batizado em outubro/novembro do ano 27 d.C., com 33 anos de idade e morreu no dia 7 de abril do ano 30, com 36 anos. Estas datas são fundamentadas em:

Início da vida pública: O início do capítulo 3º de Lucas localiza com precisão o começo da vida pública de Jesus: "No ano décimo quinto do império de Tibério César (governou de 13 a 37 d.C.), sendo Poncio Pilatos governador da Judéia (de 26 a 36 d.C.) Herodes Antipas tetrarca da Galiléia (de 2 a.C. a 39 d.C.) Filipe, seu irmão, tetrarca da Ituréia e da província de Traconítides (de 4 a.C. a 34 d.C.) e Lisânias tetrarca da Abilínia (data incerta), sendo pontífices Anás e Caifás (Caifás foi sumo sacerdote de 18 a 36 d.C. e Anás já fora sumo sacerdote de 6 a 15 d.C. e exercia grande influência no ambiente sacerdotal). Lucas (3, 23) também cita que Jesus, quando começou seu ministério, "tinha cerca de 30 anos". O 15º ano do governo de Tibério César vai de outubro de 27 a outubro de 28, o que nos permite localizar o início do ministério de Cristo nos últimos meses do ano 27, com 33/34 anos de idade.

As três Páscoas: O Evangelho de João cita a participação de Jesus em 3 Páscoas:


  • • 1ª Páscoa (março/abril de 28 d.C.), citada em Jo 4,45 e confirmado por Mc 1,14 e Lc 4,14. Nesta permanência de Jesus em Jerusalém teriam ocorrido a expulsão dos vendilhões do Templo (Jo 2,13-22), as pregações (Jo 2,23-25) e a conversa com Nicodemos (Jo 3,1-21). • 2ª Páscoa (em março/abril de 29 d.C.), citada em Jo 6,4, que se confirma com Mc 6, 39 (a época de "grama verde") com Lc 9, 12 (multiplicação dos pães). Em Jerusalém, durante a Páscoa do ano 29, Jesus realizou a cura do paralítico no sábado (Jo 5,1-9), discutiu com os judeus sobre o sábado (Jo 5,10-18) e proclamou o seu poder (Jo 5, 19-47).
    • 3ª Páscoa ( em março/abril de 30 d. C.) citada em Lc 17,11. Na viagem para Jerusalém realiza inúmeros prodígios (veja o final do cap. 17 e todo o cap. 18 de Lucas), entre eles a cura de dez leprosos; conta a parábola da viúva e do juiz dos operários da vinha, encontra o jovem rico. Ao chegar em Betânia realiza a ressurreição de Lázaro, cura os cegos de Jericó, encontra Zaqueu; faz a entrada solene em Jerusalém na noite do sábado (1º de abril de 30); na 2ª e 3ª feiras realiza todas as atividades descritas nos cap. 21, 22, 23, 24 e 25 de Mateus, na 4ª feira é traído por Judas, na 5ª feira realiza a última ceia, na 6ª feira é preso e morto, no domingo ressuscita e aparece 9 vezes.


  • Dois anos e meio: Portanto, se Jesus iniciou sua vida pública (sendo batizado por João) no final do ano 27 e morreu no início de abril do ano 30, concluímos que toda a sua pregação foi realizada em, aproximadamente, 30 meses.


    Você sabia que ...

    ... vários documentos da Igreja indicam períodos diferentes para a vida pública de Jesus? São Irineu (Irenaeus of Lyon – 130-202), em seu livro "Contra as Heresias (Adversus Haereses)" em um momento afirma que Jesus chegou aos 50 anos de idade (15 anos de vida pública) e em outro ponto afirma: "Ele [Cristo] continuou pregando apenas durante um ano depois de seu batismo". Clemente de Alexandria (150 – 215) em seu livro "Stromata" também fala em um ano de pregação. Talvez estes autores tenham sido induzidos pelos versículos do profeta Isaías que falam de "o ano de minha redenção" (Is 63, 4) e "o ano do ajuste de contas" (Is 34, 8). Se você quer saber mais sobre o assunto, solicite pelo endereço ou E-mail abaixo, os livros ‘Contra as Heresias’ e ‘Stromata’ (em inglês) que lhe enviaremos os textos gratuitamente.

    sábado, 6 de janeiro de 2001

    Os Magos e a Estrela

    Coluna "Ser Católico" – Jornal da Cidade – 06/01/2001

    O Evangelho que será lido nas missas deste domingo fala sobre a visita dos magos a Jesus recém-nascido. Vamos detalhar os fatos.

    Quem eram – O nome "mago" poderia assumir significados diversos: um sacerdote persa, um mágico, um propagandista religioso, um adivinho, um astrólogo, um charlatão e até um médico. Alguns exegetas (estudiosos da Bíblia) preferem definir os magos como astrólogos babilônicos, enquanto outros os indicam como sacerdotes da Pérsia.

    Nem três, nem reis – Antigas tradições do cristianismo adicionaram informações ao texto do evangelista. O Evangelho de Mateus não cita qualquer detalhe dos visitantes: diz apenas que eram ‘magos’ e que vinham do ‘oriente’. Os nomes (Baltazar, Melchior e Gaspar), o número de ‘três’ e o título de ‘reis’ devem-se a antigas comunidades cristãs que adicionaram mais detalhes à história. O número de três magos pode ter aparecido com base no número dos presentes (ouro, incenso e mirra) e o reconhecimento de reis, pode ser em razão do evangelista ter citado que eles abriram seus cofres (ou tesouros) para oferecer os presentes ao Recém-nascido (pode ter ocorrido também uma interpretação do Salmo 72 (71), 10-11).

    Os presentes – O ouro era oferecido aos reis. O incenso era queimado a Deus nos altares. A mirra era usada como narcótico para diminuir as dores e embalsamar os cadáveres. Quando misturada ao vinho, a mirra servia de narcótico para amortecer as dores (esta mistura foi oferecida a Jesus na cruz); misturada aos aloés (essência perfumada) usava-se para embalsamar os corpos. Os magos reconheceram Jesus como Rei, Deus e Homem.

    A estrela de Belém – Ao que parece o Evangelho descreve um meteoro, ou uma estrela (astér do original grego) que se movimentava. Muitos escritores, estudiosos e até cientistas tentaram buscar uma explicação racional para a estrela, mas nada de definitivo foi encontrado até hoje. Eis algumas hipóteses: o Cometa Haley, que aparece a cada 76 anos, deve ter sido avistado na Palestina no ano 12 a.C.. Os astrônomos acreditam numa aparição muito fraca e que não corresponde à descrição do evangelista. Estrelas Novas que explodem no final de sua vida formando um grande sinal luminoso no céu. Não existe qualquer confirmação astronômica para este evento, como também não corresponde à descrição de Mateus (uma estrela móvel). Meteoros que brilham por um tempo muito curto, o que não é próprio da estrela de Belém. Conjunção dos Planetas Júpiter e Saturno na constelação de Peixes resultaria num objeto brilhante. Esta explicação não tem sustentação, pois não seria facilmente visível e corresponde a corpos estáticos no céu.

    domingo, 31 de dezembro de 2000

    Jesus no Templo com os Doutores

    Coluna "Ser Católico" – Jornal da Cidade – 31/12/2000


    O Evangelho das missas deste domingo (31/12) descreve a viagem da Sagrada Família a Jerusalém por ocasião da Páscoa. Terminadas as festividades, Jesus permanece no Templo com os Doutores da Lei. Vamos detalhar este episódio.

    Tradição da Páscoa – Por ocasião da Páscoa, a principal festa do povo de Deus, milhares de peregrinos acorriam para a capital, Jerusalém. No ano em que Jesus completava 12 anos, Ele, com José e Maria, foram fazer a peregrinação anual ao templo de Jerusalém. A Sagrada Família partiu de Nazaré, onde moravam, e subiram até Jerusalém, numa viagem de 150 km, percorridos em 3 ou 4 dias. Por segurança, os romeiros viajavam em grandes caravanas, junto com os parentes. Supõe-se que os peregrinos de Nazaré acampavam num jardim chamado Getsêmani, no pé do Monte das Oliveiras.

    A época – Era o ano 6 de nossa era. O rei Arquelau (filho de Herodes) já havia sido deposto, sendo a Judéia governada pelo procurador romano Coponius. Nesta época, Jesus, com 12 anos, já era considerado adulto, com maturidade religiosa no judaismo (Filho da Lei ou Bar-mizwah), membro do povo de Israel, passando a fazer leituras nas sinagogas. Falava o aramaico (no dia-a-dia) e o hebraico (idioma culto e religioso da época). Algumas perícopes dos Evangelhos dão a entender que Jesus soubesse a língua grega.

    No fim da festa – Terminada a Páscoa, os romeiros se reuniam, formando as caravanas e voltavam para casa. Os homens formavam um grupo separado das mulheres. Os filhos podiam ir com o pai, ou com a mãe, ou com os parentes. Conforme a tradição, o local de encontro das caravanas era em El-Birê, 16 km ao norte de Jerusalém, de onde as caravanas partiam, cada uma para sua cidade.

    Jesus fica em Jerusalém – José imaginava que Jesus estivesse com Maria e esta, por sua vez, pensava que o menino estivesse na caravana dos homens. Perceberam que Ele não estava na caravana no fim do primeiro dia de viagem. Já estavam a cerca de 15 km de Jerusalém. Voltaram para lá e depois de 3 dias de buscas, encontraram Jesus no Templo.

    Jesus no Templo – José e Maria encontraram Jesus no meio dos mestres, ouvindo-os e interrogando-os. Os mestres da lei eram profundos conhecedores da Lei Judaica (os 5 primeiros livros da Bíblia: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), que ensinavam nos átrios do templo, como Jesus o faria em sua vida pública. O ensinamento dos mestres era em forma de diálogo.

    Diálogo com os mestres – Pela descrição do Evangelho de Lucas, parece que estava ocorrendo uma aula, com todos os mestres e Jesus sentados em círculo, como era a tradição. A admiração dos mestres estava em Jesus não saber os trechos da Sagrada Escritura (Antigo Testamento) de maneira decorada, como era normal, mas discutia com conhecimento.

    "Meu filho, por que agiste assim conosco?" – Maria deve ter dito esta frase mais em tom de alívio do que de repreensão. Depois de tão profunda aflição e tão grande susto, Maria, mãe amorosa que era, deve ter sentido uma grande alegria e alívio ao reencontrar Jesus.

    "Não sabíeis que eu devo estar na casa do meu Pai?" – A tradução ao pé da letra (do grego) desta frase de Jesus é: " ... que eu devia estar ocupado com os negócios de meu Pai?". É a primeira palavra de Jesus citada nos Evangelhos; notar que, como na última frase de Jesus, ele se refere ao Pai.

    Jesus crescia em idade, em sabedoria e em graça diante de Deus – Jesus se preparava para sua missão. Vinte anos depois (ano 27 d.C.), iniciava sua vida pública, fazendo com que ele superasse os laços familiares. Deixou sua cidade de origem (Nazaré) e elegeu a cidade de Carfanaum como centro de seu apostolado. A casa de Pedro (em Carfanaum) se tornaria o novo ponto de referência e os 12 apóstolos a sua nova família.

    sábado, 23 de dezembro de 2000

    Glória a Deus no mais alto dos céus e sobre a Terra paz para os seus bem-amados!

    Coluna "Ser Católico" – Jornal da Cidade, 23/12/2000

    A voz dos anjos em Belém ainda ecoa no ar até nossos ouvidos! É o anúncio a pleno pulmões, do mistério sublime da encarnação da segunda Pessoa da Santíssima Trindade, que insere de maneira indissolúvel no coração de Deus, por toda a eternidade, a nossa natureza humana. É o mistério que vai muito além da nossa razão e imaginação: Deus em sua segunda Pessoa, não será jamais separado da natureza humana em Jesus!

    Quão grande é o amor de Deus por nós! O seu amor nos envolveu de tal modo, que inspirou a Trindade Santíssima a enviar o Filho de Deus feito homem, para que nossa breve caminhada terrestre fosse iluminada pela Luz que não se apaga e para que, o absurdo da morte se transformasse em simples passagem para a vida mais plena e eterna!

    Nesta véspera de Natal, quando nos preocupamos tanto com a perfeição da decoração, com os detalhes dos presentes e a gostosura das comidas, lembremo-nos antes daquilo que é o principal e de quem é o Aniversariante...

    Lembremo-nos, primeiro, de dar graças a Deus, louvando e agradecendo o seu infinito amor por nós. Lembremo-nos que Ele, desde toda a eternidade, pensou em cada um de nós em particular e nos chamou à vida...

    Lembremo-nos de que o Natal é a festa que celebra o nascimento do Nosso Salvador, Jesus Cristo e que, por Ele é que nos reunimos e com Ele deve ser nossa comemoração.

    Por essas razões, neste sábado propomos a cada leitor que, ao reunir seus familiares, antes da troca de presentes e da ceia natalina, faça primeiro a sua oração a Deus.

    Para aqueles que tem dificuldade de fazer uma prece espontânea, propomos uma pequena celebração, para ser feita em grupo:

    Animador: O Natal tem para nós, cristãos, um gosto e um sabor todo especial: lembra-nos algo maravilhoso, quando o próprio Deus se fez fisicamente presente no meio de suas criaturas. Hoje, estamos reunidos para revivermos este alegre momento. Iniciemos a nossa celebração em nome do Pai, que nos enviou seu Filho, em nome de Cristo que veio até nós e do Espírito Santo que santifica o nosso lar. Glorifiquemos a Deus.

    Todos: Glória a Deus nas alturas, glória a Jesus nosso Salvador.

    Animador: Jesus está entre nós! Peçamos as bênçãos de Deus sobre nossos lares, pois a maior benção que a raça humana já recebeu de Deus, veio de um lugar pobre e humilde: o presépio!

    Leitor 1: O lugar em que Jesus nasceu não era o mais digno ou o mais adequado para o nascimento de um Rei, o Filho de Deus. Mas, esse local pode perfeitamente significar o Coração humano, tão cheio de impurezas, tão levado por atos irracionais, pela falta de perdão, pela ausência do Amor, pela infidelidade, pela malícia, pelo orgulho, pelo egoísmo e por tantas vaidades... Quantos corações não são indignos de Deus se instalar neles ?

    Leitor 2: Por isso que, Jesus no presépio, com sua mensagem de amor a todos os homens, é um sinal de esperança! E o maravilhoso é que, em vez do local contaminá-Lo, Ele é que o santificou, fazendo deste presépio um símbolo de pureza, de simplicidade e de humildade!

    Leitor 3: Esta é a razão da nossa esperança: mesmo que os nossos corações não sejam totalmente dignos de acolher Jesus, Ele não se importa, como não se importou em nascer num simples presépio. Basta que a gente O acolha, que Ele virá, se instalará e nos purificará com sua misericórdia, resgatando nossa dignidade de filhos de Deus.

    Todos: Senhor, que neste Natal, cada coração manchado pelo pecado seja transformado num presépio santificado por Jesus!

    Animador: No Natal, Jesus retorna criança para nos dizer que Deus não está longe. O anjos ainda cantam: Paz aos homens que Ele ama.

    Todos: Lhe pedimos, Senhor, que seja arrancado o ódio de todos os corações e que seja injetado neles, o amor. Que nenhuma nação se lembre mais do que é a guerra.

    Leitor 1: É Natal! O Verbo fez-se homem e acendeu o amor na Terra. Gostaríamos que esse dia jamais findasse!

    Todos: Senhor, ensina-nos a perpetuar a Sua presença entre os homens. Que o Seu Amor aceso na Terra arda em nossos corações e nos amemos, como é da Sua Vontade.

    Leitor 2: Ajuda-nos, Pai, pois se nos amarmos, então estarás entre nós e todo dia poderá ser Natal.

    Todos: Senhor, neste Natal nós Lhe confiamos, sobretudo, os que não possuem uma crença e Lhe pedimos que um raio da Sua Luz penetre em seus corações, para que eles possam experimentar ao menos por algum momento, quão grande é a alegria de quem O conhece e O ama.

    Animador: Que por nós renasçam as esperanças, se fortaleçam as relações humanas fraternas e se renovem as pessoas e a sociedade, amém!
    Todos: Pai Nosso...

    Você sabia que ...

    ... a primeira descrição do nascimento de Cristo num presépio foi de Justino (mártir, filósofo e teólogo que viveu entre os anos 100 e 165) e de Orígenes (teólogo que viveu entre 185 e 254)? Elas se encontram nos livros ‘Diálogo com Trifon’ (Justino) e ‘Contra Celsum’ (Orígenes). Se você quer mais detalhes sobre o assunto, os textos poderão ser recebidos gratuitamente pelo E-mail abaixo.

    sábado, 16 de dezembro de 2000

    Como aconteceu o nascimento de Jesus

    Coluna "Ser Católico" – Jornal da Cidade – 16/12/2000

    Seguindo a descrição do capítulo 2 (versículos de 1 a 7) do Evangelho de Lucas, vamos detalhar os fatos que aconteceram no nascimento de Jesus.

    "Ora, naquele tempo, foi publicado um edito de César Augusto, mandando recensear o mundo inteiro. Esse primeiro recenseamento teve lugar na época em que Quirino era governador da Síria."

    Ao que parece, o evangelista teve a intenção de localizar o nascimento de Jesus no tempo, sem qualquer precisão cronológica. Os únicos registros históricos sobre um recenseamento na Palestina indicam o ano de 6 d.C., exatamente por ocasião da mudança do reino (de Arquelau) para a administração direta de Roma. Para este recenseamento foi convocado o funcionário romano Publius Sulpicius Quirinus, que foi governador da Síria entre 6 e 8 d.C. Portanto, existe uma lacuna de mais de 10 anos entre o nascimento de Jesus e o recenseamento. Sabemos que o nascimento de Cristo se deu quando Herodes Magno era o rei da Judéia e que este morreu dias depois de um eclipse lunar (12 de março de 4 a.C.), cerca de 10 dias antes da Páscoa (11 de abril de 4 a.C.), conforme o historiador Flavius Josephus.

    "Todos iam se fazer recensear, cada qual em sua própria cidade; José também subiu da cidade de Nazaré, na Galiléia, à cidade de David, que se chama Belém, na Judéia, porque era da família e da descendência de Davi, para se fazer recensear com Maria, sua esposa, que estava grávida."

    O evangelista também nos informa que o edito do imperador Otávio obrigava todos a se recensear em sua própria cidade, fazendo com que José e Maria, descendentes de Davi, viajassem de Nazaré para Belém (150 km em 4 dias de viagem). Historicamente é bastante estranho esta obrigatoriedade, pois o recenseamento era uma atualização de cadastro para pagamento de impostos para o império (taxa de pessoa física e impostos sobre propriedades). Visto que José não morava na Judéia, nem tinha propriedades ou parentes em Belém (foi obrigado a ficar numa hospedaria), não havia razão para o credenciamento. Também não têm respaldo na História os fatos de José (um cidadão de Nazaré, na Galiléia, reino governado por Antipas) ser convocado para um cadastro na Judéia (província governada diretamente por Roma) e a obrigatoriedade da presença de Maria. Existem documentos do império que mostram que um morador podia declarar os bens de seus dependentes. Quanto à citação de Lucas de que Belém é a cidade de Davi, existem algumas controvérsias: como sabemos, a cidade de Davi é Jerusalém (e não Belém); talvez Lucas tenha feito um interpretação própria de Mq 5,1, atribuindo o título a Belém.

    "Ora, enquanto lá estavam, chegou o dia em que ela devia dar à luz; ela deu à luz seu filho primogênito..."

    Primogênito era uma expressão jurídica e sagrada da lei judaica (veja em Ex 13,2 e Nm, 3,11). Mesmo que a família tivesse um único filho, esse receberia o ‘título jurídico’ de primogênito, que obrigava os pais a consagrá-lo a Deus.


    "... envolveu-o em faixas e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na sala dos hóspedes."

    José e Maria estavam num abrigo para caravanas (caravançarai): se tratava de um grande abrigo para hospedagem gratuita de caravanas, normalmente formado de quatro pavilhões em volta de um pátio. Como não havia lugar na sala principal (a cidade deveria estar repleta de viajantes por causa do recenseamento), Maria deve ter levado o Menino para o pátio onde ficavam os animais. É importante lembrar que Lucas não descreve uma hospedaria, mas apenas uma sala; o termo (em grego) usado pelo evangelista é o mesmo usado para designar a sala da última ceia.

    Portanto, não existe qualquer descrição de nascimento em uma gruta, com bois e carneiros ao redor. Esta tradição surgiu alguns séculos depois com Justino e Orígenes.


    Você sabia que ...

    ... a primeira descrição do nascimento de Cristo num presépio foi de Justino (mártir, filósofo e teólogo que viveu entre os anos 100 e 165) e de Orígenes (teólogo que viveu entre 185 e 254)? Elas se encontram nos livros ‘Diálogo com Trifon’ (Justino) e ‘Contra Celsum’ (Orígenes). Se você quer mais detalhes sobre o assunto, os textos poderão ser recebidos gratuitamente pelo E-mail abaixo.