sábado, 27 de abril de 2002

Os dogmas da Igreja Católica - Parte 3

Os Dogmas sobre a Criação do Mundo


Nas semanas anteriores vimos que Dogmas são verdades propostas pela Igreja Católica com o objetivo de aumentar (e esclarecer) a nossa fé. Na semana passada estudamos os 5 dogmas sobre Deus.  Hoje veremos os 3 dogmas sobre a criação do mundo.

Dogma 6: Tudo o que existe foi criado por Deus a partir do nada – Os Concílios de Latrão (1215) e Vaticano I (1870) declararam que todo o cristão Católico deve crer que Deus é o criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, criação esta feita do nada. Existem inúmeras passagens bíblicas que provam este dogma.  Vamos citar três: O primeiro versículo da Bíblia (Gn 1,1): “No princípio Deus criou o céu e a terra..."; o 2º Livro dos Macabeus (2Mc 7,28): "Te suplico meu filho, que olhes o céu e a terra, e vejas o quanto existem neles, e entendas que do nada Deus fez tudo isso"; e a Carta aos Hebreus (Hb 11,3): "Pela fé conhecemos que os mundos foram dispostos pela palavra de Deus de modo que do invisível teve origem o visível".

Dogma 7: O mundo teve princípio no tempo – A Igreja Católica nos ensina que o mundo teve um princípio no tempo, ou seja o mundo não existe desde toda eternidade. A Igreja é contrária à filosofia pagã e ao materialismo moderno que supõe a eternidade do mundo.  O progresso da física atômica (elementos radiativos) e da astronomia (idade do universo e big-bang) permitem inferir um princípio do mundo no tempo.  O Evangelho de João (Jo 17,5) nos diz: "Agora, Tu, Pai, glorifica-me próximo a Ti mesmo, com a glória que tive perto de Ti antes que o mundo existisse..."; ou a Carta de São Paulo aos Efésios (Ef 1,4): “Nos escolheu antes da constituição do mundo..." ; ou o Salmo (Sa101,26): "Desde o princípio fundaste Tu a terra...".

Dogma 8: Deus conserva na existência a todas as coisas criadas – Deus exerce uma ação conservadora no mundo como uma continuação da Sua ação criadora. Este dogma foi definido no Concílio Vaticano I: "Tudo o que Deus criou, com sua providência o conserva e governa...".  O Livro da Sabedoria nos dá o fundamento deste dogma (Sb 11,26): “E como poderia subsistir nada se Tu não quiseras ou como poderia conservar-se sem Ti?" (Sb 11,25); ou ainda o Evangelho de João (Jo 5,17): "Meu Pai segue trabalhando ainda e eu também trabalho"; ou ainda a Carta de S. Paulo aos Colossenses (Col 1,17): "E tudo Nele subsiste".

QUER LER MAIS?


            Se você quer ler o texto oficial da Igreja Católica sobre “Dogmas” ou um texto completo sobre os “Dogmas sobre Deus” ou sobre “Dogmas sobre a criação do Mundo”, solicite por E-mail.

sábado, 20 de abril de 2002

Os Dogmas da Igreja Católica - Parte 2

Os Dogmas sobre Deus

A Igreja Católica propõe 5 Dogmas sobre Deus, ou seja, existem cinco verdades sobre Deus que o Católico deve usar como fundamento de sua fé.   Portanto, se você é Católico, você deve aceitar estas 5 afirmações.

Dogma 1: A existência de Deus – Todo Católico deve reconhecer (pela própria razão) Deus como uno e verdadeiro, criador de todas as coisas e Senhor nosso.  O fundamento bíblico para esta afirmação está em Gn 1,1 (“No princípio Deus criou os céus e a terra”), em Sab 13,1-9.15 ("Pela grandeza e formosura das criaturas, por racionalidade se chega a conhecer ao Criador delas"), ou em Rm 1,20 ("Porque desde a criação do mundo, a invisibilidade de Deus, Seu eterno poder e Sua divindade são conhecidos através das criaturas, de modo que são inescusáveis").  O Concílio Vaticano I (1869 – 1870) declarou que o Católico que não reconhecer a existência de Deus deve ser excomungado.

Dogma 2: Crer em Deus – Todo cristão Católico deve crer e confessar a existência de um Deus Verdadeiro.  Em Hb 11,6 se lê: "Sem a fé é impossível agradar a Deus, pois é preciso que quem se acerque de Deus creia que Ele existe e que é remunerador dos que O buscam". O Concílio Vaticano I (1870) declarou que a Igreja Católica crê que existe um único Deus Verdadeiro e se alguém negar que apenas Deus é o Verdadeiro Criador e Senhor das coisas visíveis e invisíveis, seja excomungado.

Dogma 3: Existe um único Deus – "A santa Igreja Católica Apostólica romana crê e confessa que existe um único Deus Verdadeiro e Vivo". "Firmemente cremos e simplesmente confessamos que Deus é apenas Um".  Na Bíblia encontramos indicações em Dt 6,4 ("Ouve Israel, Iaveh é nosso Deus, apenas Iaveh"), ou em 1Cor 8,4 (“Sabemos que o ídolo não é nada no mundo e que não existe mais que um único Deus"), ou ainda em At 14,14; 17,23; Rm 3,39; Ef 4,6; 1Tim 1,17; 2,5.

Dogma 4:  Deus é Eterno – Os Concílios de Latrão e Vaticano afirmam que "Firmemente cremos e simplesmente confessamos que apenas um é o Verdadeiro Deus eterno..." e que "A Santa Igreja Católica, Apostólica Romana crê e confessa que existe um único Deus Verdadeiro, Vivo, Eterno, Imenso, Incompreensível, Infinito em Seu entendimento e vontade e em toda perfeição".  Os fundamentos bíblicos se encontram em Sl 89,2 ("Antes que os montes, a terra e o universo tivessem sido criados, Tu existíeis desde a eternidade até a eternidade", e em Sl 2,7 e Jo 8,58 "Antes que Abraão nascesse, eras Tu".

Dogma 5: A Santíssima Trindade – Em Deus há três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo; e cada uma delas possui a essência divina que é numericamente a mesma - O Concílio de Florença (1438-1445) assim apresentou esta doutrina: "Por razão desta unidade, o Pai está todo no Filho todo no Espírito Santo; o Filho está todo no Pai e todo no Espírito Santo; o Espírito Santo está todo no Pai e todo no Filho. Nenhum precede ao outro em eternidade, ou o excede em grandeza, ou o sobrepuja em poder...".  Sobre a Trindade a Bíblia diz: "Façamos ao homem..." (Gn 1,26) ou "Disse-me Iaveh: Tu és Meu Filho hoje Te gerei" (Sl 2,7) ou "O Espírito Santo virá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com Sua sombra, e por isto, o Filho criado será Santo, será chamado Filho de Deus" (Lc 1,35) ou "Viu o Espírito Santo de Deus descer como pomba e vir sobre Ele, enquanto uma voz do céu dizia: 'este é Meu Filho Amado, em Quem tenho Minha complacência'" (Mt 3,16) ou "Ide, pois, e ensinai a todas as gentes, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19).

QUER LER MAIS?


            Se você quer ler o texto oficial da Igreja Católica sobre “Dogmas” ou um texto completo sobre os “Dogmas sobre Deus”, solicite por E-mail.

sábado, 13 de abril de 2002

Os Dogmas da Igreja Católica - Parte 1

O que é Dogma ?

Se você é Católico e orienta sua fé pelos ensinamentos da Igreja Católica, é importante que você conheça a doutrina contida nos dogmas. Iniciaremos a partir de hoje uma série de artigos sobre os dogmas da Igreja Católica.

O que é Dogma? – Dogma é uma verdade (afirmação verdadeira) proposta pela Igreja Católica com o objetivo de aumentar (e esclarecer) a fé dos cristãos.  Os dogmas são luzes no caminho de nossa fé, que o iluminam e tornam seguro. 

Autoridade – Utilizando-se da autoridade que recebeu de Cristo, a Igreja Católica define os dogmas, convocando o povo cristão a uma adesão de fé a estas verdades.

Revelação Divina – Todos os dogmas são fundamentados em passagens bíblicas, ou têm uma conexão direta com elas.  Assim, os Dogmas tornam cada vez mais profunda a compreensão da Revelação Divina.

Um exemplo – Inúmeros trechos da Bíblia afirmam que Jesus Cristo era Deus.  Desde o Antigo Testamento, onde os profetas anunciavam a vinda do Cristo (veja Is 7,14 que fala de Emanuel, Deus Conosco; ou ainda Is 9,6, o Príncipe da Paz) até o Novo Testamento em Mt 23,17 (no batismo de Jesus) ou em Mt 17,5 no Monte Tabor, ou em Lc 2,49 (“devo me ocupar das coisas de meu Pai”), ou ainda Mt 11,27 (“ninguém conhece o Pai senão o Filho”) ou em Rm 9,5 (“Cristo, que é Deus”). Não existe qualquer dúvida sobre a Revelação Divina: Jesus era Deus.

A Mãe de Jesus – Também não existe qualquer dúvida sobre quem foi a mãe de Jesus.  Desde a previsão dos profetas (Is 7,14: “Eis que uma virgem conceberá ...”), a visita do anjo (Lc 1,31: “Eis que conceberás ... o que nascer de Ti será chamado de Filho de Deus”), ou a pregação de São Paulo (Gl 4,4: “Enviou seu Filho, nascido de uma mulher”). Também é verdadeira a Revelação Divina: Maria era Mãe de Jesus.

Dogma: Maria Mãe de Deus – Baseada na fundamentação bíblica, a Igreja Católica definiu como Doutrina o culto à Maria como Mãe de Deus.  Assim a Igreja entende que é importante para o cristão aceitar Maria como Mãe de Deus, pois esta aceitação será benéfica para trilhar os caminhos da fé cristã.

Quais são os Dogmas – A Igreja definiu 5 Dogmas sobre Deus, 8 sobre Jesus Cristo, 3 sobre a criação do mundo, 3 sobre o Ser Humano, 3 sobre Maria, 5 sobre o Papa e a Igreja, 9 Dogmas sobre os Sacramentos e 7 sobre o Final dos Tempos.  Na próxima semana vamos detalhar os Dogmas sobre Deus.

QUER LER MAIS?

            Se você quer ler o texto oficial da Igreja Católica sobre “Dogmas”, solicite por carta ou E-mail.
           

PESQUISA BÍBLICA

            O Evangelho de João, ao descrever o nome dos apóstolos, cita que Jesus chamou um apóstolo de nome Natanael (confira em Jo 1,43s e em Jo 21,2).  Foi ele quem disse a frase: “Será que pode sair alguma coisa boa de Nazaré?”. Ocorre, porém, que os outros evangelistas não incluem Natanael como um dos 12 apóstolos (confira em Mt 10,2; Mc 3,16 e Lc 6,14). O que terá acontecido? Será que havia 13 apóstolos? Será que João se enganou no nome? Faça uma pesquisa em sua Bíblia ou em livros bíblicos; pergunte para o padre ou catequista de sua paróquia.  Se você não encontrar uma resposta satisfatória, solicite por E-mail que lhe enviaremos um texto explicativo.

sábado, 6 de abril de 2002

Meu Senhor e Meu Deus

“Eu sou como Tomé: só acredito vendo!” Todos nós já devemos ter escutado a famosa frase do apóstolo. O tema de hoje é o controverso apóstolo Tomé, que estava pronto para seguir Jesus em tudo, mas não acreditou na sua ressurreição.

Quem foi Tomé – São Tomé foi um judeu, chamado para ser um dos doze apóstolos. Sempre aparece nos Evangelhos como um dedicado e impetuoso seguidor de Cristo.  Os Evangelhos e a tradição lhe impuseram os nomes de Dídimo, Gêmeo, Apóstolo da Índia e Apóstolo incrédulo.

Qual o Caminho? – Na noite anterior à Paixão, durante a Última Ceia, Jesus, explicando aos apóstolos que iria ressuscitar e voltar para junto do Pai, disse: “Quanto ao lugar para onde vou, vós sabeis o caminho”.  Tomé lhe disse: “Senhor, nós nem sabemos para onde vais, como poderíamos saber o caminho?” Tomé recebe como resposta um dos mais famosos ditos de Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.”  Jesus não é apenas o caminho na medida em que, por seu ensinamento, ele conduz a vida; ele é o caminho que conduz ao Pai na medida em que ele próprio é a verdade e a vida. (Jo 14,5s).

Pronto para tudo – No episódio em que Jesus recebe a notícia de que Lazaro estava doente (Jo 11), Jesus anunciou que iria para o vilarejo de Betânia, próximo de Jerusalém.  Todos os apóstolos protestaram: “Mestre, há pouco os judeus procuravam te apedrejar; e queres voltar para lá?” Então, o impetuoso Tomé disse aos outros apóstolos: “Vamos, também nós, e morramos com ele”.

Só ver para crer – O episódio mais conhecido com Tomé aconteceu na tarde do domingo da ressurreição de Jesus.  Os apóstolos estavam reunidos a portas fechadas, com medo dos judeus, quando Jesus apareceu no meio deles.  Cristo soprou sobre eles, dando-lhes o poder de perdoar os pecados.  Tomé não estava entre eles.  Quando os apóstolos lhe contaram a aparição de Cristo, Tomé pronunciou a oração dos incrédulos: “Se eu não vir em suas mãos a marca dos cravos, se não enfiar o meu dedo no lugar dos cravos e não enfiar a minha mão no seu lado, não acreditarei!”.(Jo 20,19).

Meu Senhor e Meu Deus – Oito dias depois (talvez no domingo seguinte) os apóstolos estavam reunidos no mesmo local e Tomé estava com eles.  Jesus apareceu no meio deles e disse a Tomé: “Aproxima o teu dedo aqui e olha as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado, deixa de ser incrédulo e torna-se um homem de fé”. A resposta de Tomé é a maior confissão de fé contida nos Evangelhos: ”Meu Senhor e meu Deus!”. É a associação dos títulos de Senhor e Deus.

Vida e Morte – A tradição da Igreja indica que, após a dispersão dos apóstolos, Tomé foi evangelizar os Partos, Medos e Persas; por último ele ensinou na Índia, pregando para a população nativa da costa de Malabar. Morreu, ferido por uma lança, num lugar chamado Calamine. São Tomé é comemorado no dia 3 de julho, data da transferência de seu corpo para Edessa, na Mesopotamia.  É o patrono dos arquitetos.

QUER LER MAIS?

            Se você quer saber mais sobre a paixão e morte de Jesus, nós podemos lhe enviar um texto mais detalhado sobre a crucificação.  Solicite por E-mail.
           

PESQUISA BÍBLICA

            O Evangelho de João, ao descrever o nome dos apóstolos, cita que Jesus chamou um apóstolo de nome Natanael (confira em Jo 1,43s e em Jo 21,2).  Foi ele quem disse a frase: “Será que pode sair alguma coisa boa de Nazaré?”. Ocorre, porém, que os outros evangelistas não incluem Natanael como um dos 12 apóstolos (confira em Mt 10,2; Mc 3,16 e Lc 6,14). O que terá acontecido? Será que havia 13 apóstolos? Será que João se enganou no nome? Faça uma pesquisa em sua Bíblia ou em livros bíblicos; pergunte para o padre ou catequista de sua paróquia.  Se você não encontrar uma resposta satisfatória, solicite por E-mail que lhe enviaremos um texto explicativo.

sábado, 30 de março de 2002

O sepultamento de Jesus

Descreveremos hoje os acontecimentos do sepultamento de Jesus.

Condenados – De acordo com o direito romano, era proibido dar uma sepultura aos corpos dos condenados à pena de morte. No caso de Jesus, havia dois grupos interessados: os judeus, que queriam a imediata retirada dos corpos das cruzes, pois a permanência de corpos crucificados podia comprometer a santidade do sábado (Páscoa) (veja Jo 19,31-37); e os amigos de Jesus, que queriam dar-lhe sepultamento digno.

Os judeus – As autoridades judaicas foram até Pilatos e pediram para que a morte dos condenados fosse acelerada e que os corpos fossem retirados dos patíbulos.  A crucificação havia ocorrido perto do meio-dia daquela sexta-feira e um crucificado podia permanecer vivo por até três dias.  Para apressar a morte, adotava-se um método cruel: quebrava-se as pernas dos crucificados com uma marreta: sem apoio das pernas, todo o peso do corpo do condenado recaía sobre os braços, acontecendo a morte por sufocação.  Pilatos atendeu ao pedido dos judeus: os soldados quebraram as pernas dos dois ladrões, mas encontraram Jesus já morto. Para certificar-se de sua morte, o soldado rasgou o peito de Jesus com uma lança.

José de Arimatéia – A segunda solicitação recebida por Pilatos foi de um membro do Sinédrio de Jerusalém chamado José, proveniente da cidade de Arimatéia, que pedia o corpo de Jesus para sepulta-lo. José (com a ajuda de Nicodemos) retirou o corpo de Jesus da cruz e o prepararam para ser enterrado.

Preparação do corpo – Os Evangelhos fornecem poucas informações sobre como o corpo de Jesus foi preparado para o enterro. A tradição judaica indica que o corpo do falecido deve ser lavado e ungido com óleo; o cabelo e a barba devem ser cortados; os olhos são fechados e as mandíbulas atadas.  Por fim, o corpo deve ser envolvido no sudário e o rosto coberto.  Após essa preparação, o corpo deve ser transportado para o local da sepultura com os pés e mãos atadas com cordas, sobre um ataúde descoberto (não dentro de um caixão, mas, normalmente, na própria cama em morreu). A preparação do corpo era realizada por amigos ou parentes próximos.  Não era permitido se enterrar o morto despido. Embora não existam detalhes sobre a preparação do corpo de Jesus, estas normas devem ter sido seguidas (Jo 19,40).

O enterro – O enterro dos judeus ocorria sempre no mesmo dia da morte.  No caso de Jesus, isso era obrigatório pois era véspera da Páscoa, que exigia repouso absoluto (Lc 23,56).  O sepulcro era um local, normalmente esculpido em rocha, onde podiam entrar várias pessoas.  Ligado a este ambiente, havia a câmara mortuária, fechada por uma grande pedra (Jo 20,5).  O corpo de Jesus foi depositado num banco (ou mesa) escavado na rocha (Jo 20,12).  O último ato do enterro é o fechamento da câmara mortuária, colocando-se uma grande pedra na entrada.

O sábado – O sábado foi marcado pela desconfiança dos judeus quanto ao sepulcro de Jesus.  Pilatos lhes dá permissão para que coloquem guardas junto ao local e, para maior segurança, marca-se a pedra da entrada para que se possa perceber qualquer tentativa de violação.  Nesse clima de tensão termina o relato do sepultamento de Jesus.  Pouco mais de 24 horas depois, ocorreriam os fatos que determinariam claramente qual era a verdade sobre Jesus.

QUER LER MAIS?

            Se você quer saber mais sobre a paixão e morte de Jesus, nós podemos lhe enviar um texto mais detalhado sobre a crucificação.  Solicite por E-mail

sábado, 23 de março de 2002

Os últimos dias de Jesus

Descreveremos hoje os acontecimentos da Paixão de Cristo.

Sábado, 1º de abril do ano 30 – Alguns dias antes, Jesus havia ressuscitado Lázaro (Jo 11,1s), tinha curado os cegos de Jericó (Mt 20,20s), e feito a unção em Betânia (Mt 26,6). Os Evangelhos descrevem que Jesus era perseguido pelos judeus nesta região (Jo 11,8).  Neste sábado, estando no vilarejo de Betânia, Jesus faz sua entrada solene em Jerusalém (Mt 21,1s), sendo aclamado pelo povo e desafiando os fariseus e saduceus. Visitou o templo, onde curou cegos e coxos e discutiu com os sacerdotes (Mt 21,14). No fim do dia, retornou para Betânia, onde passou a noite (Mt 21,17).  A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém é comemorada pela Igreja no Domingo de Ramos.

2 de abril de 30, domingo – No domingo anterior a sua Paixão, Jesus se reúne com os apóstolos.  Neste dia ocorre o episódio da figueira amaldiçoada (Mt 21,18), ocasião em que, não encontrando frutos numa figueira, Jesus ordena que não nasça mais frutos dela, secando-a imediatamente.

3 e 4 de abril de 30, segunda e terça-feira – Nestes dias Jesus pernoita fora de Jerusalém, se reunindo com os apóstolos e mostrando a eficiência da oração (Mt 20,22), conta-lhes as parábolas dos dois filhos (Mt 21,28), dos vinhateiros infiéis (Mt 21,33) e das dez virgens (Mt 25,1).  Jesus é interrogado pelos sacerdotes sobre sua missão (Mt 21,23), os fariseus tentam surpreendê-lo com a questão do tributo a César (Mt 22,15), discute com os saduceus sobre a ressurreição, faz uma veemente repreensão aos fariseus e escribas e profetiza a destruição do templo (Mt 24,1).  Ocorre a primeira tentativa de prisão de Jesus (Mt 21,45).  Neste dia os anciãos e sacerdotes se reuniram na casa do sumo sacerdote (Caifás) e combinaram prender Jesus por traição e o matar.

5 de abril de 30, quarta-feira – O fato mais marcante desta quarta-feira foi a traição de Judas Iscariotes (Mt 26,14).  Os sacerdotes pagaram a Judas trinta moedas de prata para que indicasse onde Jesus estaria e pudessem prendê-lo.

6 de abril de 30, quinta-feira – A véspera da Paixão começa com a preparação para a Páscoa (Mt 26,17). Os Evangelhos não descrevem o que aconteceu durante o dia, mas passam diretamente para a Última Ceia (Mt 20,29).  Nesta refeição aconteceu o Lava-pés (Jo 13,1), Judas é denunciado e deixa o Cenáculo (Mt 26,21) e Jesus institui a Eucaristia e o Sacerdócio (Mt 26,26).  Todos cantam um hino e partem para o Monte das Oliveiras onde Jesus lhes apresenta o Mandamento Novo (Jo 13,33), prediz as três negações de Pedro (Mt 26,34) e sofre a agonia do horto (Mt 26, 36). É também neste dia que faz a oração pela unidade de todos os que O haveriam de seguir, pronunciando a belíssima Oração Sacerdotal. Não deixe de ler todo o capítulo 17 de João.

7 de abril de 30 – sexta-feira – De madrugada, Jesus recebe o beijo de traição de Judas e é preso (Mt 26,47), é levado à casa de Anás e depois para o julgamento do sumo sacerdote Caifás (Jo 18,13) e Pedro nega conhecer Jesus.  De manhã, Jesus é julgado pelo Sinédrio e condenado à morte, mas é levado perante Pilatos (Mt 27,1).  Judas se desespera e suicida-se (Mt 27,3).  Acontece o interrogatório de Pilatos (Mt 27,11) e, diante de sua indecisão (Mt 27,12), Jesus é levado a Herodes Antipas (Lc 23,6), voltando novamente a Pilatos. Este quer libertar Jesus (Lc 23,13), porém é dada liberdade a Barrabás (Mt 27,15), mesmo com a intervenção da esposa de Pilatos (Mt 27,19).  Jesus é condenado à crucificação (Mt 27,31) e percorre o caminho do calvário.  Ao meio-dia é crucificado (Mt 27,33) junto com dois ladrões (Mt 27, 38).  Às três horas da tarde Jesus morre.  Ao cair da tarde José de Arimatéia vai até Pilatos para pedir o corpo de Jesus (Mt 27,57); um soldado fura o corpo de Jesus com uma lança (Jo 19,34) e Jesus é sepultado (Mt 27,60).

8 de abril de 30, sábado – Era a Páscoa dos Judeus, com repouso absoluto (Lc 23,56).

9 de abril de 30, domingo – De madrugada, Maria Madalena e outras mulheres vão ao sepulcro, constatando a ressurreição (Mt 28,1) e a comunicam a Pedro e João (Jo 20,2). Durante o dia, Jesus aparece a Madalena (Mt 28,9), aos discípulos de Emaús (Lc 24,33) e aos apóstolos (Lc 24,36).

QUER LER MAIS?

            Se você quer saber mais sobre a paixão e morte de Jesus, nós podemos lhe enviar um texto mais detalhado sobre a crucificação.  Solicite por email.

sábado, 16 de março de 2002

Como morreu Judas?

A morte de Judas é narrada duas vezes no Novo Testamento. O evangelista Mateus descreve um suicídio por enforcamento, enquanto Lucas cita que o traidor sofreu uma queda, sem especificar se foi suicídio ou acidente.

Descrição de Mateus (Mt 27,3–8) – O evangelista Mateus assim descreve a morte de Judas: “Então Judas, que o tinha entregado, vendo que Jesus fora condenado, tocado de arrependimento, tornou a levar as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: Pequei, entregando o sangue inocente. Mas eles disseram: Que nos importa? Isso é contigo! E, tendo atirado as moedas de prata para o templo, retirou-se e foi pendurar-se de um laço. Os príncipes dos sacerdotes, tomando as moedas de prata, disseram: Não é lícito deitá-las na arca das esmolas, porque são preço de sangue. E, tendo consultado entre si, compraram com elas o campo do oleiro, para sepultura dos estrangeiros. Por esta razão aquele campo foi chamado campo de sangue, até ao dia de hoje”.

Descrição de Lucas (At 1,18–19) – Lucas menciona a morte de Judas, no inicio do Livro dos Atos dos Apóstolos, com estas palavras: “[Judas] adquiriu um campo com o salário da sua iniqüidade. Tendo-se pendurado, rebentou pelo meio e todas as suas entranhas se derramaram. Esse fato tornou-se tão notório a todos os habitantes de Jerusalém, que se ficou chamando aquele campo, na língua deles, Hacéldama, isto é, Campo de Sangue”.

Discordâncias – As narrativas divergem nos detalhes. Segundo Mateus, Judas enforcou-se e foram os chefes do povo que compraram um campo, ligado ao sangue inocente de Jesus. Lucas, por sua vez, não diz que Judas suicidou-se por enforcamento, mas que o traidor sofre uma queda, sem especificar se foi suicídio ou acidente. De acordo com seu relato, o campo não foi comprado pelos chefes de Israel, mas pelo próprio Judas, e seu nome refere-se ao sangue de Judas e ao de Jesus.

Objetivos diferentes – Os textos foram escritos com objetivos diferentes.  Enquanto Mateus faz menção à morte de Judas no relato da Paixão de Jesus com o objetivo de enfatizar a inocência do Senhor (reconhecida até mesmo por seu traidor que confessou seu erro e tentou remediá-lo), Lucas narra o fim de Judas para reiterar a eleição de Matias como membro do apostolado correspondia ao plano de Deus, bem como para apresentar os apóstolos como testemunhas da vida, morte e ressurreição de Jesus.

Tradições – Mateus e Lucas se utilizam de tradições populares que circulavam em Jerusalém de maneira vaga para historiar a morte de Judas. Essas tradições objetivavam estimular os cristãos a refletir sobre a sorte de Judas e a interpretá-la com a ajuda das Sagradas Escrituras. Mateus observa o fim de Judas à luz da morte de Aquitofel, narrada em II Samuel 17,23: amigo íntimo do rei Davi, ele traíra seu senhor, pondo-se ao lado do rebelde Absalão; depois se enforcara, pois não pudera colher os frutos de sua traição. Lucas identifica a morte de Judas com a que o Livro da Sabedoria (4,19) reserva aos ímpios, que perseguiram o justo e o condenaram a uma morte infame.

SÃO LONGUINHO

            Você já deve ter ouvido falar em São Longuinho (ou Longuinhos ou Longinus). Longinus foi o soldado romano que feriu lado de Jesus crucificado com sua lança (Jo 19,34) e reconheceu Cristo como sendo o “filho de Deus” (Mt 27,54).  Diz a tradição que a água que saiu do lado ferido de Jesus respingou em seu rosto e ele imediatamente sarou de um problema de visão, converteu-se e tornou-se um monge. É um santo bastante popular no Brasil sendo lembrado quando se procura um objeto perdido: a pessoa pede ajuda a São Longuinho e promete dar três pulinhos. É comemorado dia 15 de março. Se você quer saber mais sobre São Longuinho, podemos lhe enviar um texto mais detalhado.  Solicite por E-mail.